sexta-feira, 21 de julho de 2017

Até sempre.


Vou voltar a escrever-te. Talvez pela última vez, mas vou voltar a falar para ti porque foste em tudo a pessoa a quem sempre quis contar a minha história. Então, se nunca mais te escrever, quero que saibas duas coisas: que te amei sempre e que guardarei sempre no coração os momentos que vivemos.

Estar contigo foi muito mais do que eu esperaria. Sentir-te perto de mim, sentir-me protegida por ti, conhecer-te da maneira que conheci foi do melhor que tive na vida. Dividir as tuas frustrações, partilhar as tuas alegrias, amar-te, foi uma bênção para mim. Vou sempre relembrar-te pela pessoa que foste quando eu mais precisei, pela pessoa que me conquistou sem eu perceber, pela pessoa que me envolvia num abraço e me mostrava que não, o mundo não é um lugar seguro, mas que mesmo assim pode fazer sentido. Vou relembrar as dores que passámos e perceber que foram elas que nos moldaram e guardar com carinho todos os beijos que me deste. Vou guardar as histórias que partilhámos, as discussões que nos tornaram mais fortes e os momentos em que me fizeste rir. Vou guardar-te, sempre. Mesmo que não possa ter-te.

Sei que não sou fácil, que não fui fácil, que te frustrei muitas vezes. Sei que te fiz sofrer e que te tirei a paciência. Mas sei também que te amei com todo o meu coração. Que vi em ti um futuro que, por mais impossível que fosse, me fazia feliz. Que vi em ti uma segurança que me fez crescer enquanto ser humano, que me fez dar passos em falso sem medo de cair. Contigo soube que podia perseguir qualquer sonho e até alcançá-lo, porque me apoiarias sempre. 

Contigo aprendi a gostar um pouco mais de mim. Percebi que tenho mais valor do que achava e que posso realmente chegar mais além. Quando eu estava no chão, contigo aprendi que podia levantar-me. E isso é algo que hei de agradecer-te sempre. Isso é algo que guardarei sempre com um carinho enorme por aquilo que fomos, por aquilo que aprendemos a ser e por aquilo que achámos que sempre seríamos. 

Hoje escrevo-te pela última vez na esperança que um dia possamos sorrir um para o outro sem dor. Na esperança de que o tempo leve a culpa, a dor, a ansiedade e a mágoa de tudo o que nos apartou. Na esperança de que vivamos sempre para aplaudir as grandes conquistas um do outro, na certeza de que seremos sempre o passado um do outro. Na esperança que um dia me olhes com um brilho alegre no olhar em vez do pesar que ficou de tudo isto. Na esperança que chegue o dia em que nos iremos rir do quão bizarro tudo foi, do quão improvável e inacreditável foi tudo desde o início até ao fim. Na esperança que o nosso amor não cesse aqui, mas que vire carinho e amizade e que nos permita ser sempre felizes um pelo outro, mesmo que os nossos caminhos não mais se cruzem. 

Escrevo-te pela última vez para que saibas que, se nada mais me inspirar a escrever, as minhas últimas palavras não ficaram presas ao rancor ou ao sofrimento, mas a todo o amor que te tive. 

Que sejas muito, muito feliz. É tudo o que desejo. 

Até sempre. 


sexta-feira, 26 de agosto de 2016

wish you the best



Não quero guardar rancor, sabes?
Não posso mentir e dizer que não estou magoada, porque não sei se algum dia esta dor vai desaparecer por completo, mas não quero guardar-te rancor por tudo o que aconteceu. Chama-lhe amadurecimento, ou aquilo que quiseres, mas hoje tenho a certeza de que me quero desprender desta mágoa que te tenho guardado. Talvez não tenhas tido culpa. Talvez nenhum de nós pudesse ter feito nada para evitar este culminar. Talvez tudo tenha começado no dia em que eu te abandonei, no dia em que o teu coração partiu com a minha decisão. Talvez todo este tempo tenha sido um simples adiar daquilo que devia ter acontecido naquele dia. Talvez eu devesse ter virado costas naquele momento, talvez eu devesse ter-te guardado da dor dos dias que se seguiram. Sabes, talvez o erro tenha sido meu. Por te ter deixado chegar perto. Por te ter magoado. E por não ter deixado que seguisses um caminho no qual eu não existia. Não sei. Mas não quero guardar-te rancor, porque enquanto partilhaste esta jornada comigo, eu pude contar contigo. Ainda que agora já não possa, enquanto não seguiste o teu caminho, foste parte de mim. Soubeste de mim mesmo aquilo que a minha boca nunca proferiu, conheceste-me melhor do que por vezes eu me conheço a mim própria e permitiste-me conhecer-te como ninguém. Fomos livro aberto um para o outro, ombro precioso quando tudo o resto falhava e ouvidos prontos quando algo não estava bem. Rimos tanto, mas tanto. Um do outro, da vida, das pequenas coincidências... E nesses momentos senti sempre que eras alguém para a vida. Mas ainda que isso se tenha revelado um engano, enquanto durou, foste alguém da vida, da minha vida. E só tenho a agradecer por isso. Por tudo o que vai ficar quando esta dor desaparecer, pelos momentos em que eu achei que te levaria comigo para o futuro, por teres sido o apoio que eu precisava quando foste e por me teres ensinado a lidar com tanta coisa. Hoje aprendo a lidar com mais uma coisa: com a perda. Com a perda daqueles que amamos - mesmo que não no sentido amoroso -, com o "bater-portas" de pessoas que significam tanto para nós. Também por isso, obrigada. Sinto-me agora mais preparada para enfrentar a vida.
Prometo não te guardar rancor - mesmo que não agora, um dia-. E desejo-te o melhor do mundo, porque a pessoa que eu conhecia decerto o merece. 

terça-feira, 12 de julho de 2016

the face of regret




Por vezes, ainda busco pedaços de ti, da história que estás a construir sem mim, da vida que levas ignorando a marca que deixaste. Não por te querer de volta, mas à conta desta maldita saudade do amigo que sei que nunca terei de volta, mas que sempre relembrarei por tudo aquilo que fez por mim. Sei que sou a única, que já não procuras vestígios de mim como fazias no passado e que te limitas a confiar cegamente no destino para nos conduzir de volta um ao outro. Mas o tempo passa e eu sei que isso não vai acontecer. Talvez por nunca ter confiado no destino, ou simplesmente por compreender que enquanto passos não forem dados rumo a algo melhor, nada vai andar para a frente. É matemático e por isso mesmo tu devias entendê-lo. Mas ao invés disso permaneces impávido e sereno, deixando a vida passar-te à frente dos olhos, deixando aquilo que fomos um para o outro desaparecer no vácuo. E isso entristece-me e revolta-me. Porque te deixei entrar na minha vida, confiei em ti e acreditei que não me abandonarias. Mas sem que eu desse por isso escolheste afastar-te, atirando-me areia para os olhos, dizendo que nada podias fazer, que tinha de ser assim, Quando ambos sabíamos bem que não tinha de ser assim. E foi então que eu percebi que a culpa não está nos terceiros que nos afastaram, mas no facto de tu viveres bem sem amigos verdadeiros. Eu cansei de tentar, mas continua a doer tanto sem que eu entenda de onde raio veio todo este poder que tens de me deixar em sofrimento. Dói e eu não consigo perdoar-me por te ter permitido entrar. Já passou tanto tempo, mas algo em mim vai doer para sempre. Eu sinto-o. Só é pena que seja a única a senti-lo. 

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Quando o corpo começa a falhar, o medo perpetua-se em mim. Já não é só o stress mental, mas todas as reações que o mesmo provoca em mim. São as dores de cabeça, as noites em branco, a falta de ar, a incapacidade de respirar de forma regular, as tonturas repentinas e este nó na garganta que me traz lágrimas aos olhos sempre que tento falar. O que me assusta não é tudo isto, mas sim o que isto pode significar numa altura destas, uma altura em que eu preciso de me focar, em que eu preciso de ser produtiva, em que eu preciso de ser mais. E o facto de não conseguir, o facto de estar presa nesta bolha que me entorpece, assusta-me. Preciso de voltar a ter controlo sobre a minha vida e não sei como. Só quero que esta fase passe depressa. Preciso tanto de descansar.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

waking up next to you


Um dia eu vou acordar, abrir os olhos devagarinho e contemplar-te junto a mim. Um dia eu vou acordar envolta nos teus braços fortes que perdem a firmeza quando cais no sono e sentir a tua barba por fazer a roçar ao de leve na minha face. Um dia eu vou abrir os olhos e o espaço ao meu lado na cama já não estará vazio. Estará, pelo contrário, cheio de amor, cheio de ti. Um dia eu vou acordar com os teus beijos ao longo do meu pescoço. Aqueles beijos suaves que dás enquanto dizes que me amas nas entrelinhas dos teus lábios. Nesse dia, não saberei distinguir sonho de realidade, mas saberei do fundo do meu coração que esse é o dia pelo qual esperei toda a minha vida. Um dia, esse dia não será só um dia, mas o início de tudo aquilo que poderemos construir juntos e eu mal posso esperar pelo início dessa nova aventura. Parece tão longe ainda, meu amor. Mas está perto, cada vez mais perto. Só temos de aguentar, amar e esperar até lá. Um dia, meu bem, nesse dia, eu vou acordar e saber o motivo do meu sorriso. Vou amar-te ainda mais e saber que és tu o motivo pelo qual tudo parecia tão vazio até então. Então vou saber, como sempre soube, que faz sentido. Que fazemos sentido. Vamos caminhar juntos até esse dia. 

quarta-feira, 20 de abril de 2016

it has been amazing, can you believe it?


Ser feliz requer esforço. Ser feliz não vem do nada, não nos entra pela porta porque sim, nem nos aparece à frente sem saber bem de onde. Ser feliz é um processo, é um crescimento, é uma batalha. E eu estou a ganhá-la ao teu lado. Depois de dois anos custa acreditar que aquilo que somos, aquilo que fomos, aquilo que, talvez, um dia seremos, está reunido neste amor que nos juntou e que é tão grande. Estar ao teu lado é uma construção, é um amanhecer caloroso todos os dias e um céu estrelado todas as noites. Estar ao teu lado é caminhar ao longo de um percurso que me enche de sorrisos. Dois anos, meu amor. Quem diria que aqui chegaríamos. Quem diria que aquilo que és e aquilo que sou se pudesse juntar tão bem para criar aquilo que somos. Este "ser" que é tão meu, tão teu, tão nosso. Não tenho - creio que nunca terei -  palavras que cheguem para te agradecer por tudo o que foste, tudo o que me ajudaste a ser, tudo o que construíste a meu lado e me ajudaste a construir, mas sei, como se sabe que o sol nasce todos os dias, que serás para sempre uma parte de mim. Há mais de dois anos atrás começava a maior aventura da minha vida. Obrigada por a partilhares comigo, obrigada por a construíres comigo. Obrigada por seres a minha aventura constante. O nosso limite, meu amor, está para lá do céu.

domingo, 10 de abril de 2016

it's time to feel


Não quero falar sobre isso. Essa é a primeira coisa que me vem à cabeça. Não preciso de falar sobre isto. Mas dói. Uma dor pequenina que se torna irritantemente dolorosa por ser assim pequenina e ao mesmo tempo tão poderosa. Dói, uma dor gigante que mais não é de que uma pontada minúscula que me atravessa o peito e se apodera das minhas forças. Mas eu não preciso de falar sobre isso. Preciso sim de me aninhar, de me debruçar sobre mim própria e de expulsar esta sensação sobre a forma de lágrimas. Preciso de um abraço que retire dos meus ombros este peso e de um sussurro ao de leve que me confirme que tudo ficará bem, mesmo que eu saiba que não é já, que custa a passar, que por uns tempos isto vai ferir. Preciso apenas de um momento para sentir tudo de uma vez por mais avassalador que seja, porque não aguento sentir a dor aos poucos sem que ela me destrua lentamente. Hoje, eu não quero falar sobre isto. Amanhã, eu não precisarei de falar sobre isto. Mas agora, preciso apenas de saber que tudo vai melhorar.